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Publicado em 13/02/2012

Deixa o carnaval passar...

por maneco nascimento

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Sem Legenda

Nos dias que antecedem a passagem da majestade momesca, festejos do carnaval brasileiro, o país é só aniversário. As comemorações pipocam em confetes e serpentinas que antecipam as horas em que não se quer sofrer, não se quer chorar, a tristeza é deixada...

“(...) lá fora/ Mandei a saudade esperar, lá iá lá, iá/Hoje eu não quero chorar/Quem quiser que sofra em meu lugar.” (O Primeiro Clarim, cantada por Dircinha Batista, dos compositores Rutinaldo e Klécius Caldas), porque quando o carnaval passar, de Chiquinha a chiquitas bacanas, lá da Martinica, todas brilham porque o samba e o carnaval, como se tem no país tropical, é da pecha de invenção local.

 

Como é para comemorar, então se comemora o frevo, em seus 105 anos de invenção pernambucana mais emblemática. O dia do Frevo, dia 09 de fevereiro, a festa no Recife abrigou “Orquestras, passistas e cortejos de grupos percussivos celebram o Dia do Frevo no Pátio de São Pedro, no centro da cidade, esquentando ainda mais o clima de Carnaval da capital pernambucana.” (portal Terra/09 de fevereiro de 2012. 15h52 atualizado às 22h06/acesso: 10.02.2012, às 11h45)

 

A data remonta a 1907 quando houve a primeira referência ao nome do ritmo, em jornal do Recife. Os historiadores atribuem que o frevo ganhou forma na boca dos foliões a partir de uma brincadeira com a palavra “ferver”. Ao comemorar 100 anos, em 2007, foi considerado Patrimônio Cultural Imaterial pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A dança característica desse ritmo quente leva o título de proteção cultural por mérito manifestado. Segundo historiadores, os passos surgem da união do estilo musical da capoeira, manifestação muito comum no período dos primeiros frevos.

 

Já o Rio de Janeiro, a “Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil (...)” (Cidade Maravilhosa: André Filho, 1934), completa 80 anos de samba na avenida, brincadeira que começou lá pelos idos da década de 1930. Comemora, neste 2012, o 80º. Aniversário do primeiro desfile de Carnaval, que surgiu em 1932.

 

“O primeiro desfile foi organizado pelo jornal ‘Mundo Sportivo` no dia 7 de fevereiro de 1932, domingo de Carnaval, e contou com 23 escolas de samba formadas por 100 dançarinos vestidos de terno ou com fantasias simples e recatadas, uma imagem muito diferente da exuberância e sensualidade atuais.” (Veja Celebridades/matéria de Manuel Pérez Bella, 08/02/2012 – 18:47/acesso: 09/02/2012, às 11h30)

 

O que era pequeno, mas manifestadamente popular, cresceu no olho do poder oficial e “’Nos anos 40 as autoridades se deram conta que os desfiles eram uma coisa bonita, da cultura popular, e foram permitindo sua realização. Até então eram marginalizados’ explicou Monarco” (Idem)

 

Monarco, da Velha Guarda da Portela, com seus bem vividos anos de passarela sabe bem do que fala. Seus 78 anos de idade e 65 de carnaval são memórias de um tempo de ouro. Iniciou-se nessa festa em 1947. E na década de 1940, quando começou seu histórico de folião, era também a época de ouro do rádio e o carnaval em samba e marchinhas já fazia história nos programas de auditório, através das grandes composições e vozes de rainhas e reis. Se Chiquinha Gonzaga já abrira alas em 1899, então o que o samba não fez a partir de 1930 para que as décadas seguintes fossem pura mina de ouro.

 

O samba, o carnaval, o samba enredo, marchinhas, ranchos, entre outros, a identidade musical de pura nacionalidade em que os grandes mestres abriram a cornucópia da criação. Ainda em 1920, “Pé de Anjo”, de Sinhô, fez do seu sucesso ecos que reverberam nos salões até hoje. Na esteira da popularidade vieram “Ta-hi!” (Joubert de Carvalho, 1930), “O Teu cabelo não nega” (Lamartine Babo/Irmãos Valença, 1931).

 

As boas disputas musicais nos deram “Linda Morena” (Lamartine Babo, 1932), “Linda Lourinha” (Braguinha, 1933). Em 1934, pérolas como “Cidade Maravilhosa” (André Filho) e “Pastorinhas” (Noel Rosa/Braguinha) foram encanto e luz na boca do povo. Já em 1935, Lamartine Babo ataca de “Grau Dez” em parceria com Ary Barroso e Noel Rosa e Heitor dos Prazeres vêm de “Pierrô apaixonado”.

 

Para 1936, o sucesso é embalado por “Balancê” (Braguinha/Alberto Ribeiro) e “Mamãe Eu Quero” (Jararaca/Vicente Paiva). Braguinha ganhou + gosto e no ano de 1937, com o parceiro Alberto Ribeiro, brindou o carnaval do samba com “Touradas em Madri” e “Yes, Nós Temos Banana”. Em 1938 “A Jardineira” de Benedito Lacerda e Humberto Porto perguntava sobre tristeza da personagem acabrunhada. Mas a música melodramática, uma alegria do samba, convivia com outro sucesso, “Vaca Amarela”, de L. Babo e Carlos Netto.

 

“JouJoux e Balangandãs”, um bom humor de Lamartine Babo, dizia “Joujous, Joujoux? Que é meu balangandã?...” foi samba para 1939. “Allah-La-Ô”, de Haroldo Lobo e Nássara; “Aurora”, de Mário Lago e Roberto Roberti e “Iaiá Boneca”, de Ary Barroso, estão para 1940, como “Apaga a Vela”, de Braguinha e “Chik Chik Bum”, de Antônio Almeida, estão para 1941. Se carnaval tem hora, “Está chegando a hora”, de Rubens Campos e Henricão, contou o tempo de alegria em 1942, mas teve companhia de “Nós, os Carecas” (Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti).

 

A festa, entre saltos e pulos, foi de “Pirata da Perna de Pau”, de Braguinha, que está para 1946 assim como “Cordão dos Puxa-Sacos” de Roberto Martins e Frazão. 1947 trouxe a “A Mulata é a Tal”, de Braguinha e Antonio Almeida e “Coitadinho do Papai” (H. de Almeida e M. Garcez). “Chiquita Bacana”, de 1949, traz novamente a dupla Braguinha e Alberto Ribeiro.

 

A década de 50 também se garantiu. “Se é pecado sambar” (João Santana); “Daqui eu não saio” (Paquito e Romeu Gentil); “Nega Maluca” (Fernando Lobo e Evaldo Ruy) e “Flor Tropical, de Ary Barroso, foram de 1950. No sassarico dos salões, “Sassaricando”, de Luiz Antônio, Zé Mário e Oldemar Magalhães, ganhou 1951. Marlene gravou “Lata D’Água, de Luis Antônio e Jota Jr, em 1952 e “Marcha do Caracol”, de Peter Pan e Afonso Teixeira, também fechou esse ano. “Zé Marmita” (Brasinha/Luiz Antônio); “Cachaça” (Mirabeau Pinheiro/Lúcio de Castro/Heber Lobato) e “Saca-Rolha” (Zé da Zilda/Zilda do Zé/Waldir Machado) fizeram, em 1953, crítica humorada e alegria contagiante.

 

Ainda para essa década, peças inestimáveis como “Maria Escandalosa” (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti) e “Marcha do Tambor” (Jurandi Prates/Hianto de Almeida/Ewaldo Ruy) deram graça a 1954. Quem sabe, sempre sabe, então Jota Sandoval e Carvalhinho saíram com a perolada “Quem sabe, sabe” que, em 1955, juntou-se a “Tem Nego ‘Bebo`Aí”, de Mirabeau Pinheiro e Ayrton Amorim.

 

A “Turma do Funil”, composta para o carnaval de 1956, de Mirabeau Pinheiro, M. de Oliveira e U. de Castro, dividiu brilho com “Vai com jeito”, de Braguinha. Para 1959, Ivan Ferreira, Homero Ferreira e Glauco Ferreira brincaram com a moeda e o calor do carnaval em “Me dá um dinheiro aí”. Carnaval também para índio veio com “Índio quer Apito”, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira que abriu o ano de 1960 e “A Maria Tá”, também de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, esteve lá. “Marcha do Cordão do Bola Preta”, de Nelson Barbosa e Vicente Paiva foi para 1962.

 

1963 apresentou “Twist no Carnaval”, de Braguinha e Jota Jr.; os parceiros João Roberto Kelly e Roberto Faissal vieram de “Cabeleira do Zezé”; “Pó de Mico”, de Onildo Silva, Renato Araújo e Dora Lopes alertou o salão e Capiba compôs “Madeira que cupim não rói”. “Mulata iê iê iê”, de João Roberto Kelly veio para 1964 e em 1965 foi de “Água na boca”, de Mendes, gravada pelo Bloco Cacique de Ramos, como também “Na Onda do Berimbau”, de Osvaldo Nunes. A “Colombina iê iê iê”, de João Roberto Kelly e David Nasser alegrou 1966, assim como risos, palhaços e alegria em “Máscara Negra”, de Zé Keti e Pereira Mattos.

 

Também de amor vive a alegria e “Amor de Carnaval”, de Zé Kéti, salvou 1968. As bandeiras da alegria carnavalescas trouxeram “Bandeira Branca”, de Max Nunes e Laércio Alves e também “Marcha do Remador”, de Antonio Almeida, para o ano de 1969. Música e alegria são temas de folia e diversão, logo muitos sucessos ganharam força ano a ano e viraram “hit”, como “Chuva Suor e Cerveja”, Caetano Veloso, 1971. “Tem capoeira aí”, de Batista da Mangueira, esteve na vida de 1973 e “Boi da Cara Preta”, de Zuzuca, brindou memórias infantis em 1974. Caetano Veloso criou a “A Filha da Chuiquita Bacana” para 1975.

 

Também da Velha Guarda, para 1971, “Bloco da Solidão”, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim. Outras raridades do carnaval ganharam memória, como “Tomara que chova”, de Paquito e Romeu Gentil; “Roubaram a Mulher do Ruy”, de José Messias; “Maria Sapatão”, de Chacrinha, Roberto, Don Carlos e Leleco; “Marcha da Cueca”, de Carlos Mendes, Livardo Alves e Sardinho; “Tristeza”, de Haroldo Lobo e Niltinho e também “Até Amanhã”, de Noel Rosa, o poeta do Morro.

 

Memórias dos dias de 20, 30 e muitos anos outros que preencheram os salões e alegorias à produção em série, a uma das maiores expressões artísticas nacionais. Porque este é o “País Tropical” (Jorge Bem Jor) e, hoje e sempre, ainda é samba. Deixa o carnaval passar...

 

Fonte: veja.com

terra.com

www.samba-choro.com. (letras de marchinhas de carnaval... por Paulo Eduardo neves) 

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